Resenha O Colecionador: Misturas de sentimentos que compõem a obra.






O autor John Fowles, escritor e romancista inglês, publicou sua primeira obra - O Colecionador - em 1963, ele foi aclamado pelo seu poder criativo de transitar entre a literatura moderna e a pós-moderna. O livro tem uma história muito perturbadora, mas ao mesmo tempo desperta muito interesse e curiosidade no leitor. Ele foi republicado pela editora Dark Side, que atualizou a antiga versão. Além disso, a editora também caprichou na estética do livro. Nas primeiras páginas, tem um extra sensacional, uma introdução exclusiva de Stephen King, que inclusive, fez o seguinte comentário na quarta capa do livro: “A geografia emocional deste romance, que continua tão incendiário quanto da sua publicação de 1963, é escolhida entre os mais absolutos brancos e pretos [...] John Fowles criou um romance de estreia espetacular.” Outro escritor muito influente deste gênero é Thomas Harris, que também reservou espaço para seu comentário: “Uma obra-prima fundamental e perturbadora. Sem ela, eu nunca teria escrito O Silêncio dos Inocentes”.

O Colecionador é sobre a história de Frederick Clegg, um jovem um tanto solitário que não é muito sociável com familiares, amigos nem com colegas de trabalho. Ele acaba passando despercebido pela maioria das pessoas, e parece ser alguém invisível na sociedade, mas apesar disso, por dentro Frederick tem muitos pensamentos e opiniões que vão se mostrando ao longo da história. No primeiro capítulo, o autor explora bastante a vida de Clegg, mostra a perspectiva do protagonista sobre sua própria vida. É fácil perceber que ele é uma pessoa meio fria e sem muitos sentimentos afetivos, podendo ser uma consequência da sua criação que foi exclusivamente pela sua tia e sua prima. Fred é uma pessoa obsessiva e centrada, logo se percebe o seu entusiasmo com a coleção de borboletas, que é o seu único hobby.

Em um determinado momento, Fred ganha um prêmio na loteria e acaba recebendo uma boa quantia de dinheiro. Então ele começa a fazer vários planejamentos, pois agora ele tinha mudado de vida. Frederick Clegg começa a ter uma percepção diferente sobre as pessoas à sua volta, e se sente poderoso de certa forma, pensa que pode alcançar todas suas vontades.

Uma delas é fazer com que Miranda, uma moça que ele observa há tempos, se apaixonasse por ele. Fred é um tanto obcecado por uma estudante de Artes, parecendo um verdadeiro stalker. Ele sabe quem são seus amigos, qual sua rotina, sua casa, seus compromissos, sem nunca ter falado com a moça. Miranda acaba se tornando sua segunda obsessão, quando ele põe na cabeça que se a sequestrasse, ela iria se apaixonar.

Clegg começa a fazer idealizações de planos para concretizar essa ideia, só que ao mesmo tempo parece ser pensamentos passageiros e que nunca serão concretizados. Até que o colecionador compra de fato uma casa afastada da cidade, faz um quarto embaixo do porão da casa e coloca roupas femininas do tamanho da Miranda. Ele sequestra a estudante.

O primeiro capítulo do livro mostra toda a história através do ponto de vista de Frederick. Como ele tomou as decisões, porque pensou em fazer de tal maneira, como ele via Miranda, todas perspectivas da parte dele. No segundo capítulo, é a ótica de Miranda. Ela conta como tudo aconteceu, como ela se sente em relação ao sequestro, fala das características de Fred que antes não se tem noção etc. É a parte mais sensível do livro, onde pode-se sentir o desespero de estar no lugar da moça.

Clegg tenta de toda maneira fazer com que Miranda se apaixone, mas de uma forma “respeitosa”, não a machuca. Ele se contém várias vezes para não fazer algo que pudesse constranger ou afetar a vítima, é um homem bem diferente, minucioso e inteligente. Em contrapartida, Miranda faz várias tentativas para escapar dessa situação, tenta mostrar a ele que são amigos, tenta fugir, conversar. No terceiro capítulo então, a história tem seu desfecho.

Essa leitura vale muito a pena porque propõe uma enorme reflexão sobre o acontecimento, a vida dos dois personagens antes dessa confusão, e sobre o contexto histórico e cultural dos anos 1960. É um livro perturbador, mas ao mesmo tempo faz querer devorar o livro para poder entender o desfecho. O quarto e último capítulo são de referências, o que torna a leitura ainda mais recheada e completa.

NOTA:
                                         



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Angústia e aflição: Os sentimentos que envolvem O Conto da Aia

Escolha a si mesmo

O pato do lago