O HOBBIT: ENTRE A AVENTURA E O ENCANTO
A história de Bilbo Bolseiro é uma aula de como apresentar um universo fantástico, mesmo após seus 84 anos.
Por: João Vitor Marques
O Hobbit é um livro lançado em 1937 e foi o primeiro publicado por John Ronald Reuel Tolkien. O protagonista da história é Bilbo Bolseiro, um “hobbit” (criatura que dá título à obra e criada por Tolkien). Os hobbits são uma raça de seres humanóides e de pequena estatura, que vivem em sua maioria em tocas. Bilbo, que não é muito fã de aventuras, se vê em uma junto de Gandalf, um mago misterioso, e outros 13 anões. O objetivo da jornada é resgatar o tesouro e a montanha das mãos de um dragão horrendo, chamado Smaug. Durante essa viagem, o protagonista passa por diversas situações, inclusive encontra o “Um anel'', grande responsável pela história que vem na sequência, Senhor dos Anéis, protagonizada pelo sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro.
É preciso destacar que este é um livro muito importante, já que foi com ele que Tolkien mudou a forma como o gênero da fantasia era visto. Além, é claro, de ter apresentado um universo que iria influenciar todo tipo de obra fantástica que veio depois, seja na literatura, no cinema, ou até nos games.
É interessante comentar que provavelmente O Hobbit é a melhor forma de adentrar no mundo criado por Tolkien, porque além de ser a primeira obra publicada do autor, é também a de linguagem mais tranquila, com a estrutura mais simples, justamente porque é um conto direcionado para as crianças, parecido com As crônicas de Nárnia, do autor C.S. Lewis, que aliás era muito amigo de Tolkien. A ideia de O Hobbit, aliás, nasceu da necessidade do autor de contar uma história para seus filhos e, por conta disso, é efetivamente um conto de fadas.
O livro conta com vários tópicos interessantes, discussões complexas, mas sempre colocadas de forma lúdica. Fala sobre aparências e também aborda a dualidade que existe na cabeça de todo ser humano, entre viver uma vida de aventuras ou permanecer na zona de conforto. A história tem um começo, meio e um fim bem determinados, mas com um ritmo frenético, então não fica cansativo em nenhum momento.
É interessante notar também que mesmo sendo “a mais tranquila” de todas as obras do autor, ainda sim é muito bem desenvolvida e apresenta muito bem esse universo para quem está começando, já que o foco dele aqui não é falar sobre a mitologia de forma profunda e complexa, até porque ele explora bastante isso em suas outras obras.
Outro ponto importante é o carisma do protagonista, característica que aqui é ainda mais forte que na versão apresentada nos filmes de O Hobbit, de Peter Jackson, lançados entre 2012 e 2014. Mas é preciso destacar outros personagens também, como Gandalf, que tem diálogos incríveis e suas interações com o protagonista fazem uma grande diferença na história. Outro personagem é Gollum, criatura que protege o anel e que é introduzido aqui de forma muito instigante. Além dos personagens, a forma descritiva como o autor comenta sobre as criaturas, os detalhes esmiuçados da geografia dos ambientes, a forma como cada uma das raças complementa o universo, tudo isso faz com que o leitor se envolva bastante na atmosfera
Somos apresentados também, no final dessa história, à uma característica que diz muito sobre como Tolkien enxerga sua própria obra, que é o final mais agridoce. Sabe aquela conclusão que tem um acontecimento triste, mas com um fundo de esperança? A partir disso, é possível enxergar que o grande objetivo do livro, assim como de todas as suas obras, é realmente causar uma impressão positiva. Mesmo após 84 anos desde seu lançamento, O Hobbit é uma obra que mantém sua relevância e que merece ser lida por qualquer fã de fantasia. A história funciona por si só, ou seja, independentemente de suas “continuações”, você pode ler ele sem ter a obrigação de ler “O senhor dos anéis”, por exemplo. No entanto, Tolkien, entre aventuras, criaturas e ensinamentos, quer causar o encanto necessário nas pessoas para mantê-las interessadas neste universo, e ele consegue.

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