As diferentes realidades de Jane Austen e Elizabeth Hoyt
Os novos romances de época e as ideias contemporâneas propostas neles
Quando comparamos as narrativas dos romances históricos de Jane Austen e Elizabeth Hoyt, podemos ver uma clara diferença. Os ideais conhecidos e discutidos na contemporaneidade, que pouco ou nunca apareciam na sociedade da época que estão abordando, é um dos exemplos mais perceptíveis.
É verdade que Jane Austen, quando escreveu suas obras, não pretendia revisitar uma época, pois retratava a sua realidade. Diferentemente das atuais autoras de romances históricos, que precisam retratar um mundo em que não viveram e possuem muitas diferenças com o que vivem.
O sexo e a gravidez fora do casamento, a liberdade sexual feminina, a independência feminina, o estupro, o casamento entre classes sociais distintas e por amor e a ausência paterna são algumas das tantas outras problemáticas que aparecem em romances de época atualmente. Mas por que as autoras contemporâneas abordam isso?
Deborah Strougo, escritora de A Conquista do Conde e Letícia Gomes, autora da tetralogia As Quatro Estações do Amor afirmam que, mesmo maquiadas, essas questões existiam e ocorriam, por isso elas fazem questão de trazer em seus romances. “Quando lemos livros clássicos como os de Jane Austen ou das Irmãs Bronte, temos uma escrita que nasceu dentro de um cenário sociohistórico que não permitia certos assuntos de serem falados em público. Tudo isso sempre existiu, mas realmente não eram falados. Eram tabu”, comenta Letícia.
A escritora, Flávia Pádula, autora de 78 romances publicados na Amazon, entre eles romances de época, western, medieval, fantasia e contemporâneo, acredita que, com esses temas, principalmente a liberdade sexual feminina, ela busca inspirar seus leitores e gerar identificação. “Para mim, é a oportunidade de dialogar com minhas leitoras sobre questões que nos assombram ou nos confortam. Sinto que tenho um papel importante em demonstrar nas histórias situações que a mulher vivia e vive até hoje. Eu espero que elas possam ter momentos agradáveis com o livro, tanto para analisar comportamentos como encontrar a liberdade sexual que muitas ainda não têm”.
Já para Letícia, existe ainda mais um motivo para abordar esses juízos, ao expor a complexidade do ser humano, em que os conceitos de certo e errado sempre tiverem e terão tons de cinza entre eles. “Eu gosto de escrever sobre esses assuntos, não como uma forma de modernizar a época, mas para trazer para o leitor que nós sempre fomos pessoas complexas, diversas e cada um com sua particularidade. Quero que meus leitores se vejam naqueles personagens e não se sintam sozinhos”
Além disso, elas pretendem provocar ideias no leitor, de forma que eles reflitam sobre si mesmos e sobre a sociedade, comenta Déborah. "Além do entretenimento, um livro de ficção também é causador de reflexões. É sobre se identificar com os personagens e se aprofundar em si mesmo".
Seja pela relevância de se debater esses pontos que antes eram escondidos ou para que o leitor se aproxime da obra por meio da identificação e até para inspiração. A verdade é que os romances de época são muito mais interessantes e intrigantes dessa maneira. Não é mesmo?

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