Decisão
Isabela Andrade
Sussex, 1810
— Vá embora daqui! — esbravejou Giselle Martin para o homem que a seguia pelo Parque do Lago. Ela andava com passos largos na grama úmida e gelada, sem enxergar um palmo à sua frente, devido à espessa e típica neblina da madrugada londrina, que pairava sobre as cerejeiras.
— Giselle, você não pode fazer isso! Vai prender para sempre um palerma que você nem gosta dentro de um casamento infeliz. — disse Andrew perseguindo a amada, ele tentou segurar o braço dela para fazê-la parar, contudo ela se desvencilhou quando ele esticou seu braço.
— E o que você sugere que eu faça? — Giselle se virou com os olhos brilhando de fúria, Andrew quase trombou com ela — Meu pai mergulhou em dívidas, eu tenho que contar moedas para ter o suficiente para dar de comer aos meus irmãos mais novos. Deixe-me ter o pingo de honra que ainda possuo, deixe-me resolver isso de forma respeitosa.
— Respeitosa?! Respeitosa?! — interpelou Andrew — Você marcou de encontrá-lo no meio desse parque para que sejam flagrados pelos aristocratas saindo do baile na rua debaixo e obrigá-lo a se casar com você, a fim de evitar escândalos. Diga-me o que quiser, querida, mas isso não é respeitoso.
— E me casar com você seria respeitoso? Posso estar endividada, entretanto ainda tenho um nome e pretendo mantê-lo intacto. Sem contar que você não pode nos tirar dessa situação. Mesmo sendo um professor de crianças nobres, não pode me ajudar.
— Pelo menos você me ama, e eu a amo — Andrew pegou a mão de Giselle e a beijou por cima da seda, olhando-a apaixonadamente nos olhos.
— Amor não paga as contas, Andrew.
— Duvido que estava pensando nisso há uma hora, na minha cama.
— Eu precisava vê-lo uma última vez.
— Não precisa ter última vez. — Andrew pousou sua outra mão no rosto magnificamente belo da jovem — Ellie, meu amor, deixe-me fazê-la feliz.
Sem nem esperar por uma resposta, ele a beijou com ardor, esperando convencê-la de que não seria feliz sem aquilo, sem a química, sem o desejo, sem o amor, coisas que aquele paspalho que ela pretende capturar nunca teria com ela e o tivesse, não seriam nas proporções certas, e nem satisfatórias.
Giselle se afastou por um momento, seus olhos não brilhavam mais de fúria:
— O que eu vou fazer com você?
— Case-se comigo — suplicou ele esperançoso.
— Andrew...
— Quer que fique de joelhos? Eu fico. — ele se ajoelhou o fez segurando a mão dela entre as suas — Giselle Martin, você me daria a honra de ser minha esposa e tornar-se a minha Sr.ª Clarke?
Era tudo o que Giselle mais queria, no entanto isso significaria abandonar a vida como ela conhecia agora, teria que trabalhar para se sustentar, seria tratada com menos respeito, perderia os privilégios que a alta sociedade desfruta. Era um sacrifício que estava disposta a fazer?
— E como faríamos com o dinheiro? Nós teríamos que fugir, não posso abandonar meus irmãos, sozinhos com o meu pai.
— Nós os levaremos. Seu pai não será responsável por si mesmo e nem obrigará ninguém mais a fazer o que não quer por culpa dos atos dele. E não se preocupe com o dinheiro, demoraremos para quitar tudo, mas pelo menos teremos uma vida confortável e digna.
Cansada, Giselle se sentou na relva umedecida às margens do lago ao lado de Andrew. Provavelmente arruinaria o seu vestido, mas seus músculos doíam com o sereno frio e sua mente estava exausta e confusa, nem se importou com ele.
— Meu pai não é uma pessoa horrível, não posso ir embora e excluí-lo das nossas vidas.
— Os vícios dele prejudicam vocês todos, e ninguém irá excluí-lo, somente se afastar e buscar uma vida melhor da que ele faz vocês ter. Poderemos visitá-lo.
Ao longe, eles escutaram alguém chamando Giselle.
— É ele? — perguntou Andrew. Ela teria que decidir naquele exato momento.
— Sim — respondeu melancólica encarando a água límpida e calma, pensando se caso ela mergulhasse conseguiria tirar o peso daquela decisão.
Novamente chamaram por ela.
— Vá embora daqui! — esbravejou Giselle Martin para o homem que a seguia pelo Parque do Lago. Ela andava com passos largos na grama úmida e gelada, sem enxergar um palmo à sua frente, devido à espessa e típica neblina da madrugada londrina, que pairava sobre as cerejeiras.
— Giselle, você não pode fazer isso! Vai prender para sempre um palerma que você nem gosta dentro de um casamento infeliz. — disse Andrew perseguindo a amada, ele tentou segurar o braço dela para fazê-la parar, contudo ela se desvencilhou quando ele esticou seu braço.
— E o que você sugere que eu faça? — Giselle se virou com os olhos brilhando de fúria, Andrew quase trombou com ela — Meu pai mergulhou em dívidas, eu tenho que contar moedas para ter o suficiente para dar de comer aos meus irmãos mais novos. Deixe-me ter o pingo de honra que ainda possuo, deixe-me resolver isso de forma respeitosa.
— Respeitosa?! Respeitosa?! — interpelou Andrew — Você marcou de encontrá-lo no meio desse parque para que sejam flagrados pelos aristocratas saindo do baile na rua debaixo e obrigá-lo a se casar com você, a fim de evitar escândalos. Diga-me o que quiser, querida, mas isso não é respeitoso.
— E me casar com você seria respeitoso? Posso estar endividada, entretanto ainda tenho um nome e pretendo mantê-lo intacto. Sem contar que você não pode nos tirar dessa situação. Mesmo sendo um professor de crianças nobres, não pode me ajudar.
— Pelo menos você me ama, e eu a amo — Andrew pegou a mão de Giselle e a beijou por cima da seda, olhando-a apaixonadamente nos olhos.
— Amor não paga as contas, Andrew.
— Duvido que estava pensando nisso há uma hora, na minha cama.
— Eu precisava vê-lo uma última vez.
— Não precisa ter última vez. — Andrew pousou sua outra mão no rosto magnificamente belo da jovem — Ellie, meu amor, deixe-me fazê-la feliz.
Sem nem esperar por uma resposta, ele a beijou com ardor, esperando convencê-la de que não seria feliz sem aquilo, sem a química, sem o desejo, sem o amor, coisas que aquele paspalho que ela pretende capturar nunca teria com ela e o tivesse, não seriam nas proporções certas, e nem satisfatórias.
Giselle se afastou por um momento, seus olhos não brilhavam mais de fúria:
— O que eu vou fazer com você?
— Case-se comigo — suplicou ele esperançoso.
— Andrew...
— Quer que fique de joelhos? Eu fico. — ele se ajoelhou o fez segurando a mão dela entre as suas — Giselle Martin, você me daria a honra de ser minha esposa e tornar-se a minha Sr.ª Clarke?
Era tudo o que Giselle mais queria, no entanto isso significaria abandonar a vida como ela conhecia agora, teria que trabalhar para se sustentar, seria tratada com menos respeito, perderia os privilégios que a alta sociedade desfruta. Era um sacrifício que estava disposta a fazer?
— E como faríamos com o dinheiro? Nós teríamos que fugir, não posso abandonar meus irmãos, sozinhos com o meu pai.
— Nós os levaremos. Seu pai não será responsável por si mesmo e nem obrigará ninguém mais a fazer o que não quer por culpa dos atos dele. E não se preocupe com o dinheiro, demoraremos para quitar tudo, mas pelo menos teremos uma vida confortável e digna.
Cansada, Giselle se sentou na relva umedecida às margens do lago ao lado de Andrew. Provavelmente arruinaria o seu vestido, mas seus músculos doíam com o sereno frio e sua mente estava exausta e confusa, nem se importou com ele.
— Meu pai não é uma pessoa horrível, não posso ir embora e excluí-lo das nossas vidas.
— Os vícios dele prejudicam vocês todos, e ninguém irá excluí-lo, somente se afastar e buscar uma vida melhor da que ele faz vocês ter. Poderemos visitá-lo.
Ao longe, eles escutaram alguém chamando Giselle.
— É ele? — perguntou Andrew. Ela teria que decidir naquele exato momento.
— Sim — respondeu melancólica encarando a água límpida e calma, pensando se caso ela mergulhasse conseguiria tirar o peso daquela decisão.
Novamente chamaram por ela.
Se você quiser ler o final deste conto e os demais textos da antologia "Às Margens do Lago" aguarde o lançamento no dia 23/09.

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