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Mostrando postagens de setembro, 2021

Antologia Às Margens do Lago

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Prefácio  Em meio a primavera de um ano bem difícil, estreamos finalmente a nossa antologia Às margens do lago. Nela você vai encontrar contos, crônicas e poemas que acontecem no Parque do Lago, um local fictício inspirado por um lugar real que fica em Guarapuava, no Paraná. Cada uma dessas histórias tem o seu próprio tom, ou seja, temos romance histórico, horror, fantasia e etc. A ideia é realmente trazer um pouco mais de literatura para as vidas dos jovens, e neste projeto experimental de Jornalismo Especializado nós da editora Callíope pudemos explorar diversas faces de nós e de nossos sonhos. Produzimos conteúdos curtos, longos, rápidos, demorados, elaborados e simples. Fizemos um feed no Instagram e também um site como complemento. Criamos um ambiente editorial e de uma empresa onde cada um de nós tinha uma função principal, mas como um bom projeto inicial, todos fizemos um pouco de tudo. Proporcionando a cada um de nós uma experiência única. Fomos de jornalistas produzindo r...

Pista de Skate do Parque do Lago

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Indianara Cristina Bom, sempre quando vou começar um texto, me pergunto por onde dar essa pontapé inicial e a verdade é que eu não sei, mas gosto de começar conversando com vocês e explicar a história, nesse texto não vai ser diferente, antes de escrever esse texto pensei em muitas coisas, pois até momentos antes de eu começá-lo, eu só pensava em fazer um conto romântico, mas conversando com uma amiga ela me aconselhou a escrever esse estilo diferenciado de texto que eu faço e, bom, aqui estou… Mas vamos ao assunto principal, sabe, sou uma pessoa muito solitária, me sinto assim o tempo todo, porém também sou muito agitada, minha cabeça nunca para de trabalhar, sofro há anos com isso e durante a pandemia que teve início no final de 2019, essa minha agitação piorou, então tive que procurar saídas, eu tentei toda forma de distração possível, cursos, programas de TV, livros, amizades que nem faziam meu estilo, mas tudo que eu fazia parecia piorar ao invés de melhorar, foi então que procure...

O homem

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Thiago de Oliveira Passou por mim um homem. Não parei para checar a cara, ou se havia alguma cara. Mas era um homem. Que passou por mim. Definitivamente. Eu também passei por ele. Antes disso passaram outros, é verdade. O casal com cachorros. Outro casal com cachorros. O casal com cachorros e um filho. A jovem. O fitness sem camisa. E sem máscara. O jardineiro. Passou também aquele conhecido. Aquele tipo singular de conhecido. Que você não sabe se cumprimenta ou não. A pior espécie de gente para se encontrar. Mas nenhum deles passou, ficou e fragmentou-me como aquele homem. Com que sentidos vi aquilo? Está claro para mim que não foi com a visão. Com o tato e o paladar muito menos, não cheguei a tocá-lo. Meus ouvidos estavam fechados. Tenho esse dom de fechar os ouvidos. Nada ouço quando não quero ouvir. E aquele lago estendia-se mundo afora, refletindo o céu. Em algumas ficções, costuma-se atribuir aos espelhos uma característica de portal para outros mundos. Na verdade, espelhos são a...

O pato do lago

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Adriano Calzada Um parque é para o dia ensolarado o que Romeu o fora para Julieta: um clichê romântico, que encanta não pela novidade, mas pela altivez das ações. Bastam os raios dourados tocarem as flores para lhes conferir tom e fragrância, despertar os pássaros numa melodia áurea, remover o manto branco que cobre o gramado, preparar, enfim, a cena e atores para uma nova peça diurna. No entanto, nem só de sóis vive o parque. Quando sobe a noite e as estrelas pontilham o céu, o frio assume o lugar do calor, expulsando os mais ávidos frequentadores de parques - vagabundos, apaixonados, salteadores e animais selvagens. Detenho-me neste último para contar o causo de um par de aves que, por sua biologia curiosa, já impressiona; incapazes de voar ou mergulhar por longos períodos, os patos estabelecem-se nem como pássaros nem como peixes, revelando seu ecletismo. Mas a versatilidade é também a terra da confusão. No horário em que não há raios na atmosfera e a escuridão é absoluta, os parque...

Escolha a si mesmo

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Nathalia Mendes O frio é a primeira coisa que sinto ao acordar. A segunda é o incômodo de ter usado a mochila como travesseiro. Ainda desnorteado me sento no gramado e constato que a soneca depois da aula evoluiu para sono profundo. Me alongo e sinto um arrepio pelo corpo, a brisa do parque tão agradável ao entardecer agora arrepia os pelos de meu braço e acelera minha percepção.  Assim escuto um barulho baixinho e percebo que os fones caíram de minhas orelhas enquanto dormia. A playlist que foi trilha sonora de meus sonhos ainda toca insistente uma música qualquer. Semicerro os olhos por conta do brilho da tela e só tenho tempo de ver a hora: 23:55 antes do celular descarregar completamente. “Merda”, digo em um suspirar. Abraço meus joelhos ao sentir a temperatura cair mais um pouco e tento pensar no que fazer… com certeza perdi o horário do ônibus, mas e se eu chamar um uber? Não tem como chamar um uber sem celular… Ainda existem táxis? Onde consigo um? Vai ser muito caro? Me lev...

O encanto das cerejeiras

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Quando eu visitei o Parque do Lago Vi cerejeiras Nunca havia me tocado em quão belas são Até que as notei em expressão Hoje eu sinto cerejeiras Principalmente as de tom rosa leve Que pela temperatura de Guarapuava Se tornaram brancas de neve Impossível seria não lembrar do parque Toda vez que eu passo por árvores tão encantadoras Quanto as cerejeiras Me fascinam e eu não sei o porquê Talvez me lembre dias melhores Talvez seja a singela beleza Pode ser por atrair olhares Só não duvido de sua riqueza Para terminar de ler o poema aguarde a antologia Às margens do lago que será lançado em 23/09

As diferentes realidades de Jane Austen e Elizabeth Hoyt

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Os novos romances de época e as ideias contemporâneas propostas neles Quando comparamos as narrativas dos romances históricos de Jane Austen e Elizabeth Hoyt, podemos ver uma clara diferença. Os ideais conhecidos e discutidos na contemporaneidade, que pouco ou nunca apareciam na sociedade da época que estão abordando, é um dos exemplos mais perceptíveis.  É verdade que Jane Austen, quando escreveu suas obras, não pretendia revisitar uma época, pois retratava a sua realidade. Diferentemente das atuais autoras de romances históricos, que precisam retratar um mundo em que não viveram e possuem muitas diferenças com o que vivem. O sexo e a gravidez fora do casamento, a liberdade sexual feminina, a independência feminina, o estupro, o casamento entre classes sociais distintas e por amor e a ausência paterna são algumas das tantas outras problemáticas que aparecem em romances de época atualmente. Mas por que as autoras contemporâneas abordam isso?  Deborah Strougo, escritora de A Co...

Pulsos

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TATIANE LAZZAROTTO Vinte anos depois de embarcar no navio que prometia aos refugiados uma nova vida, Abigail encontrou-se por acaso com pessoas vindas da cidade onde nasceu. Reconheceu, de cara, a língua materna. Depois, chamou-lhe a atenção o acento pronunciado no final de algumas palavras, as frases cantadas e expressões que ouvia quando menina. Emocionada, dirigiu-se sussurrando ao casal, que aguardava num cruzamento a chance de atravessar a rua. – Ei! Por acaso vocês são de... – um estampido a interrompeu. Coincidência ou não, não era totalmente seguro pronunciar suas origens em voz alta. Abigail aceitou como um sinal do destino e se calou. O casal, um homem e uma mulher jovens, receou. Talvez tivessem sido imprudentes ao conversarem na rua. A atmosfera ainda era de tensão, mesmo com a possibilidade iminente de queda do regime em sua terra natal. Os dois eram recém-chegados, mas conheciam a instrução principal: desconfie de qualquer um. A mulher que os observava, cinquentenária e ...

O HOBBIT: ENTRE A AVENTURA E O ENCANTO

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A história de Bilbo Bolseiro é uma aula de como apresentar um universo fantástico, mesmo após seus 84 anos. Por: João Vitor Marques O Hobbit é um livro lançado em 1937 e foi o primeiro publicado por John Ronald Reuel Tolkien. O protagonista da história é Bilbo Bolseiro, um “hobbit” (criatura que dá título à obra e criada por Tolkien). Os hobbits são uma raça de seres humanóides e de pequena estatura, que vivem em sua maioria em tocas. Bilbo, que não é muito fã de aventuras, se vê em uma junto de Gandalf, um mago misterioso, e outros 13 anões. O objetivo da jornada é resgatar o tesouro e a montanha das mãos de um dragão horrendo, chamado Smaug. Durante essa viagem, o protagonista passa por diversas situações, inclusive encontra o “Um anel'', grande responsável pela história que vem na sequência, Senhor dos Anéis, protagonizada pelo sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro. É preciso destacar que este é um livro muito importante, já que foi com ele que Tolkien mudou a forma como o gêner...

O Primeiro e Último Passeio da Arya

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  Larissa Martins É unânime: o pôr-do-sol guarapuavano vai lhe arrancar um baita de um sorriso. É colorido, rosado, laranja ou amarelo e, para quem vem de fora (alô, universitários!), é um abraço. Isso mesmo! O entardecer daqui parece ser macio, quentinho, agradável como um abraço e bonito como você nunca viu. Vai lhe render boas memórias, eu garanto. De tantos que eu presenciei, vou escolher um para compartilhar com vocês e esse, em específico, me ensinou sobre a coragem de viver em uma casa nova – mas de uma forma bem fofinha. Arya é a minha gatinha. Assim como eu, saiu do interior para tentar a vida debaixo da imensidão do céu de Guarapuava. No meu caso, eu contava com pouco mais do que uma boa companhia, um apartamento sem mobília, nenhum tostão no bolso e muito trabalho da faculdade para entregar. No caso da Arya, ela não contava com muita coisa além do seu 1kg no corpinho de filhote. Então eu pensei que seria uma brilhante ideia levá-la para passear no Parque do Lago, o mai...

Naquele Banco

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Anelize Pina Marques Um passeio pelo parque do lago, no meio de uma semana conturbada, sempre caía bem para Helena. Há tempos ela é boa frequentadora do lugar, mas nos últimos meses suas rápidas visitas acabaram se tornando longas e mais frequentes. Helena gosta de caminhar descalça pela grama para recarregar energias, quando está passando por momentos não tão fáceis, gosta também de se sentar naquele banco embaixo de uma linda e velha cerejeira que fica de frente para o lago, mas não tão perto da água, apenas em uma distância confortável para observá-lo, próximo de um carrinho onde uma senhora vendia pipoca. Elas já estavam completamente acostumadas com a presença uma da outra. E sempre foi assim, durante anos de sua vida Helena repousa neste mesmo lugar. Quando criança, visitava o parque junto de seus pais, ao chegar à juventude passeava por lá com seus amigos, e agora, na fase adulta, é apenas ela e o lago. Sua última visita ao local durou muito mais do que costume, Helena chegou n...

Resenha O Colecionador: Misturas de sentimentos que compõem a obra.

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O autor John Fowles, escritor e romancista inglês, publicou sua primeira obra - O Colecionador - em 1963, ele foi aclamado pelo seu poder criativo de transitar entre a literatura moderna e a pós-moderna. O livro tem uma história muito perturbadora, mas ao mesmo tempo desperta muito interesse e curiosidade no leitor. Ele foi republicado pela editora Dark Side, que atualizou a antiga versão. Além disso, a editora também caprichou na estética do livro. Nas primeiras páginas, tem um extra sensacional, uma introdução exclusiva de Stephen King, que inclusive, fez o seguinte comentário na quarta capa do livro: “A geografia emocional deste romance, que continua tão incendiário quanto da sua publicação de 1963, é escolhida entre os mais absolutos brancos e pretos [...] John Fowles criou um romance de estreia espetacular.” Outro escritor muito influente deste gênero é Thomas Harris, que também reservou espaço para seu comentário: “Uma obra-prima fundamental e perturbadora. Sem ela, eu nunca teri...

Será que aqui eu posso amar?

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Um conto por Milly Ricardo Ser uma fada do tempo traz algumas responsabilidades, dentre elas, seguir à risca todo regulamento de sua casta. Por coincidência, ou não, eu sou uma fada do tempo, nascida de uma fada do amor e um fada da fauna. A casta a que vamos pertencer é definida no momento em que nascemos, nada somos ainda e naquele instante nos tornamos tudo. O ponto delicado em que me encontro agora é que uma das regras mais importantes destacadas pelo regulamento das fadas do tempo é: É TERMINANTEMENTE PROIBIDO TER RELACIONAMENTOS AMOROSOS COM QUALQUER FADA OU HUMANO. E adivinhe? Eu me apaixonei por uma fada. A criatura mais linda e majestosa que eu poderia imaginar, uma fada da flora. Para ela, se apaixonar não é um problema, já para mim, não poderia dizer o mesmo. Ser descoberta nesse relacionamento me tornaria uma não-fada e eu, com certeza, seria encaminhada diretamente para um não-lugar, desonrando toda a minha família. Eu e Gardênia nos conhecemos há pelo menos 25 estações. P...

Angústia e aflição: Os sentimentos que envolvem O Conto da Aia

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     O mundo criado por Margaret Atwood para hospedar sua distopia chama-se República de Gilead. Um lugar onde antes se vivia como em nosso mundo e, do dia para a noite, as mulheres foram tiradas de seus empregos, tiveram suas contas bancárias bloqueadas e, de repente, foram arrancadas de suas vidas.      Mulheres agora são divididas em funções. As Esposas são apenas esposas, as Aias são as que geram filhos para os comandantes e suas esposas, as Marthas cuidam da casa, as Tias são as mulheres que ensinam as Aias sobre quem são e o que devem fazer. Por fim, as Não Mulheres são aquelas que não podem engravidar homossexuais, viúvas, adúlteras e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é fatal.      O mundo é coordenado pelos homens de elite e as mulheres estão à sua volta para servir-lhe. Seja como empregada, esposa ou útero. Os comandantes escolhem suas esposas ainda muito jovens e então são “co...

Mais um suicídio no lago

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Estava linda com a camisa do tecido Delicado O crucifixo no peito e a pele do busto macia como cetim. Na coroa das pálpebras um olhar abstraído e submerso na nébula melancolia. Uma noiva na veste encarnada sorri para o registro fotográfico. Capturo a essência dela: vazia, pequena. Triste alegria dessa gente pobre, medíocre, convencional. Olhos brilham anel de pedra. Coração é precioso assim? O céu um branco-frio-triste. Estiagem sopra da margem e patos surgem da liquescência serena, deslizando no espelho d’água. Ciclistas formiguinhas atravessam a margem, faróis pronunciam a fumaça preta dos motores. Prédios cinza rebocam o céu de triste monotonia Um véu sobre a parede soerguida ondula com o vento. Tratores escavam e não encontram nada, nada, entulho, coisas, lixo.   Ela vestiu meu moletom, tão linda. laço seu pescoço, enclavinhamos os dedos e atravessamos a ponte. Inalo fumaça cinza-alumínio do cigarro enquanto ela olha abstraída na neblina interior. Pergunto: Bem? Nada não. Nada....