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Antologia Às Margens do Lago

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Prefácio  Em meio a primavera de um ano bem difícil, estreamos finalmente a nossa antologia Às margens do lago. Nela você vai encontrar contos, crônicas e poemas que acontecem no Parque do Lago, um local fictício inspirado por um lugar real que fica em Guarapuava, no Paraná. Cada uma dessas histórias tem o seu próprio tom, ou seja, temos romance histórico, horror, fantasia e etc. A ideia é realmente trazer um pouco mais de literatura para as vidas dos jovens, e neste projeto experimental de Jornalismo Especializado nós da editora Callíope pudemos explorar diversas faces de nós e de nossos sonhos. Produzimos conteúdos curtos, longos, rápidos, demorados, elaborados e simples. Fizemos um feed no Instagram e também um site como complemento. Criamos um ambiente editorial e de uma empresa onde cada um de nós tinha uma função principal, mas como um bom projeto inicial, todos fizemos um pouco de tudo. Proporcionando a cada um de nós uma experiência única. Fomos de jornalistas produzindo r...

Pista de Skate do Parque do Lago

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Indianara Cristina Bom, sempre quando vou começar um texto, me pergunto por onde dar essa pontapé inicial e a verdade é que eu não sei, mas gosto de começar conversando com vocês e explicar a história, nesse texto não vai ser diferente, antes de escrever esse texto pensei em muitas coisas, pois até momentos antes de eu começá-lo, eu só pensava em fazer um conto romântico, mas conversando com uma amiga ela me aconselhou a escrever esse estilo diferenciado de texto que eu faço e, bom, aqui estou… Mas vamos ao assunto principal, sabe, sou uma pessoa muito solitária, me sinto assim o tempo todo, porém também sou muito agitada, minha cabeça nunca para de trabalhar, sofro há anos com isso e durante a pandemia que teve início no final de 2019, essa minha agitação piorou, então tive que procurar saídas, eu tentei toda forma de distração possível, cursos, programas de TV, livros, amizades que nem faziam meu estilo, mas tudo que eu fazia parecia piorar ao invés de melhorar, foi então que procure...

O homem

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Thiago de Oliveira Passou por mim um homem. Não parei para checar a cara, ou se havia alguma cara. Mas era um homem. Que passou por mim. Definitivamente. Eu também passei por ele. Antes disso passaram outros, é verdade. O casal com cachorros. Outro casal com cachorros. O casal com cachorros e um filho. A jovem. O fitness sem camisa. E sem máscara. O jardineiro. Passou também aquele conhecido. Aquele tipo singular de conhecido. Que você não sabe se cumprimenta ou não. A pior espécie de gente para se encontrar. Mas nenhum deles passou, ficou e fragmentou-me como aquele homem. Com que sentidos vi aquilo? Está claro para mim que não foi com a visão. Com o tato e o paladar muito menos, não cheguei a tocá-lo. Meus ouvidos estavam fechados. Tenho esse dom de fechar os ouvidos. Nada ouço quando não quero ouvir. E aquele lago estendia-se mundo afora, refletindo o céu. Em algumas ficções, costuma-se atribuir aos espelhos uma característica de portal para outros mundos. Na verdade, espelhos são a...

O pato do lago

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Adriano Calzada Um parque é para o dia ensolarado o que Romeu o fora para Julieta: um clichê romântico, que encanta não pela novidade, mas pela altivez das ações. Bastam os raios dourados tocarem as flores para lhes conferir tom e fragrância, despertar os pássaros numa melodia áurea, remover o manto branco que cobre o gramado, preparar, enfim, a cena e atores para uma nova peça diurna. No entanto, nem só de sóis vive o parque. Quando sobe a noite e as estrelas pontilham o céu, o frio assume o lugar do calor, expulsando os mais ávidos frequentadores de parques - vagabundos, apaixonados, salteadores e animais selvagens. Detenho-me neste último para contar o causo de um par de aves que, por sua biologia curiosa, já impressiona; incapazes de voar ou mergulhar por longos períodos, os patos estabelecem-se nem como pássaros nem como peixes, revelando seu ecletismo. Mas a versatilidade é também a terra da confusão. No horário em que não há raios na atmosfera e a escuridão é absoluta, os parque...

Escolha a si mesmo

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Nathalia Mendes O frio é a primeira coisa que sinto ao acordar. A segunda é o incômodo de ter usado a mochila como travesseiro. Ainda desnorteado me sento no gramado e constato que a soneca depois da aula evoluiu para sono profundo. Me alongo e sinto um arrepio pelo corpo, a brisa do parque tão agradável ao entardecer agora arrepia os pelos de meu braço e acelera minha percepção.  Assim escuto um barulho baixinho e percebo que os fones caíram de minhas orelhas enquanto dormia. A playlist que foi trilha sonora de meus sonhos ainda toca insistente uma música qualquer. Semicerro os olhos por conta do brilho da tela e só tenho tempo de ver a hora: 23:55 antes do celular descarregar completamente. “Merda”, digo em um suspirar. Abraço meus joelhos ao sentir a temperatura cair mais um pouco e tento pensar no que fazer… com certeza perdi o horário do ônibus, mas e se eu chamar um uber? Não tem como chamar um uber sem celular… Ainda existem táxis? Onde consigo um? Vai ser muito caro? Me lev...

O encanto das cerejeiras

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Quando eu visitei o Parque do Lago Vi cerejeiras Nunca havia me tocado em quão belas são Até que as notei em expressão Hoje eu sinto cerejeiras Principalmente as de tom rosa leve Que pela temperatura de Guarapuava Se tornaram brancas de neve Impossível seria não lembrar do parque Toda vez que eu passo por árvores tão encantadoras Quanto as cerejeiras Me fascinam e eu não sei o porquê Talvez me lembre dias melhores Talvez seja a singela beleza Pode ser por atrair olhares Só não duvido de sua riqueza Para terminar de ler o poema aguarde a antologia Às margens do lago que será lançado em 23/09

As diferentes realidades de Jane Austen e Elizabeth Hoyt

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Os novos romances de época e as ideias contemporâneas propostas neles Quando comparamos as narrativas dos romances históricos de Jane Austen e Elizabeth Hoyt, podemos ver uma clara diferença. Os ideais conhecidos e discutidos na contemporaneidade, que pouco ou nunca apareciam na sociedade da época que estão abordando, é um dos exemplos mais perceptíveis.  É verdade que Jane Austen, quando escreveu suas obras, não pretendia revisitar uma época, pois retratava a sua realidade. Diferentemente das atuais autoras de romances históricos, que precisam retratar um mundo em que não viveram e possuem muitas diferenças com o que vivem. O sexo e a gravidez fora do casamento, a liberdade sexual feminina, a independência feminina, o estupro, o casamento entre classes sociais distintas e por amor e a ausência paterna são algumas das tantas outras problemáticas que aparecem em romances de época atualmente. Mas por que as autoras contemporâneas abordam isso?  Deborah Strougo, escritora de A Co...